Ensaio Sobre a Loucura

18 maio

“Hay dias que no sé lo que me passa…
Eu abro meu Neruda e apago o som…”

Há dias para tudo nesta alucinante, mas curta vida. Hoje vou partilhar a questão que me veio à cabeça por causa de uma conversa com minha namorada, a Ane, que me fez rir ironicamente do mundo:
O que é um louco? O que é a loucura? (ok, são duas questões, mas implícitas)

Depois de perder certo tempo, cheguei á conclusão que um louco é alguém que tem as suas próprias ideias, consideradas estas fora do normal; sendo, portanto, a loucura a característica que lhes é atribuída por não serem capazes de as comunicar e se fazerem aceitar pelos outros.
Assim sendo, conclui a minha tese com outra pergunta:
Mas então o que é a realidade, o normal?

Se a um louco for feita a pergunta:
O que é isto que tenho ao pescoço?(imaginemos alguém apontando para a sua gravata)
Ele responderá algo do género:
É um pedaço de tecido, com colorações variadas, sem utilidade aparente e que provoca uma certa asfixia e incomodo.
Pelo contrário, nós os “normais” responderemos de imediato e sem pestanejar: é uma gravata.

Cheguei então à catastrófica conclusão óbvia que a normalidade é simplesmente uma maneira extremamente medíocre e sem imaginação de olhar o mundo.
São estas conclusões banais que me fazem pensar em quantos de nós não gostaríamos de ser loucos na vida, assumir o que sentimos, pensamos, sem que nada nos detivesse ou envergonhasse.

Vivemos presos ás correntes invisíveis da uniformização do que a maioria pensa ser normal.
E meus caros, ai de nós se dela nos transviar-mos, somos logo postos numa camisa de forças com pulseirinha de “altamente perigoso”.
Perigoso… só se fosse pelo risco de oferecer ao próximo uma maior abertura da realidade.
Iriam descobrir o quanto as coisas estão incorretas, injustas, descentradas….coisas que “nós” consideramos “normais”.

Não sou louco, mas juro que gostaria de ser. Procuro apenas sustentar algumas idéias diferentes da grande manada em que nos transformamos…

Plagiando o poeta:
“Sou tão louco, que finjo não ser loucura a loucura que deveras tenho”

Guilherme Goulart

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2 Respostas to “Ensaio Sobre a Loucura”

  1. nattasha M. S. 4 setembro, 2006 às 6:13 pm #

    é . Eu tambem concordo com voce. Os loucos sao discrimanados por terem uma forma de pensar diferente da forma de pensar dos “normais” , mas quem foi que disse que a forma de pensar destes é a correta? Assim, É preciso haver uma resignificacao do conceito do que é a loucura. Deste conceito que tanto suja a posicao dos que sao denominados loucos. Destes que tem a sua liberdade e forma de expressão tolida por nao pensarem iguais aos outros. Sim , eles tem uma forma de pensar diferente da nossa mas nao sao completos alienados como todos pensam. Possuem sentimentos e razao. Muito bem verificaveis , mas so que vc com sua ignorancia que tapa os olhos nao consegue enxergar.

  2. Ane 19 maio, 2006 às 2:09 pm #

    Q medo desse cara…hehe

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