Arquivo | junho, 2006

(Des)Encontro

21 jun

O rapaz estava voltando para casa.
A festa em si tinha sido boa, mas para ele festa nenhuma era boa de verdade, pois ele nunca conseguia o que queria.
Então, em seu caminho de todos os sábados, viu duas moças andando ao revés da madrugada.
Parou. Ofereceu carona.
Moravam muito longe, hesitou, mas resolveu embarcá-las mesmo assim.

A que sentou-se na frente, a mais bonita das duas, conversava sem parar tentando chamar a atenção do rapaz. Quando foi deixada na porta de casa pediu seu telefone. Muito pensativo, o rapaz suprimiu o devaneio que lhe atacou sobre as infinitas possibilidades causadas por uma simples ação.
Deu o celular e cobrou o contato. Beijaram-se no rosto e se foram, cada um para seu lado.

Mas o rapaz, apesar de muito sonhador, era um pessimista nato, e bombardeou cada pensamento que chamava a moça com sua potência máxima de desdém.
Mas a moça ligou.
Ele morava em outra cidade e por isso não podiam marcar nenhum encontro por enquanto. O contato apenas por telefone durou quase seis meses.
Quem via de fora pensava que poderia ter algo a ver com amor, que histórias assim realmente tendem a ter um futuro real e satisfatório.
Mas ele não, ele a evitava.

Ela era modelo e estava a fim, mas tinha algo nela, algo que ele não sabia explicar, uma voz em seu ouvido que dizia: NÃO!
Mas foi inevitável. Saíram juntos, ficaram, conversaram. Conversa superficial, de primeiro encontro. Logo ele, tão avesso a superficialidades. Ela fingia certos interesses, ele fingia realmente estar interessado nestes interesses.
No final da festa ela apenas olhava as outras pessoas, como se ele já não precisasse ser conquistado. Apenas o erguia para a multidão.

O fato é que essa festa também não foi boa de verdade apesar de ele ter tido o que queria. Ou o que pensava querer.
Começaria a namorar? Sumiria das vistas da moça?

Deixou rolar. Ela ligava sempre. E assi foram meses de telefonemas, encontros e conversar pseudo interessantes.
Certo dia algo mudou. Estavam ambos tão frios!
Ele tentou se aproximar, mas a distância entre os dois era grande demais, e não falo da distância física, pois estavam abraçados e se beijando.

Ela era linda, demonstrava interesse e era modelo. Que mais poderia querer?

Mas o rapaz resolveu voltar para suas antigas festas ruins, resolveu deixar-se levar por um destino que finalmente lhe apresentaria um sentimento genuíno, junto com a verdadeira realidade, e até uma certa felicidade.
Afinal, esperar não mata ninguém!

Guilherme Goulart

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CD’s que estou ouvindo

21 jun

Maricotinha Ao Vivo – Maria Bethânia
Este álbum traz o registro ao vivo de uma das maiores intérpretes da MPB, no Direct TV Hall (SP), em dezembro de 2001. No repertório, estão presentes as faixas do CD homônimo, além de grandes sucessos ao longo de seus 35 anos de carreira. Vale a pena conferir “A Moça Do Sonho”, “Dona Do Dom”, “Apesar De Você”, “Ronda” e “Álibi”, além de poemas inspiradíssimos de Castro alves e Fernando Pessoa, entre outros . Imperdível.

Intensive Care – Robbie Williams
O álbum foi gravado no quarto de Robbie Williams, no alto das colinas de Hollywood e co-escrito por Stephen Duffy em 24 meses. Nesse tempo, a dupla foi altamente experimental, criando músicas que soavam, de maneiras variadas, antes de finalmente decidir por um estilo com que se sentia mais confortável. No final das contas, de acordo com seu autor, o disco é inspirado, em parte, pelo clássico de 1984 do Human, League Louise. Destaque para “Tripping” e “A Place To Crash”.