(Des)Encontro

21 jun

O rapaz estava voltando para casa.
A festa em si tinha sido boa, mas para ele festa nenhuma era boa de verdade, pois ele nunca conseguia o que queria.
Então, em seu caminho de todos os sábados, viu duas moças andando ao revés da madrugada.
Parou. Ofereceu carona.
Moravam muito longe, hesitou, mas resolveu embarcá-las mesmo assim.

A que sentou-se na frente, a mais bonita das duas, conversava sem parar tentando chamar a atenção do rapaz. Quando foi deixada na porta de casa pediu seu telefone. Muito pensativo, o rapaz suprimiu o devaneio que lhe atacou sobre as infinitas possibilidades causadas por uma simples ação.
Deu o celular e cobrou o contato. Beijaram-se no rosto e se foram, cada um para seu lado.

Mas o rapaz, apesar de muito sonhador, era um pessimista nato, e bombardeou cada pensamento que chamava a moça com sua potência máxima de desdém.
Mas a moça ligou.
Ele morava em outra cidade e por isso não podiam marcar nenhum encontro por enquanto. O contato apenas por telefone durou quase seis meses.
Quem via de fora pensava que poderia ter algo a ver com amor, que histórias assim realmente tendem a ter um futuro real e satisfatório.
Mas ele não, ele a evitava.

Ela era modelo e estava a fim, mas tinha algo nela, algo que ele não sabia explicar, uma voz em seu ouvido que dizia: NÃO!
Mas foi inevitável. Saíram juntos, ficaram, conversaram. Conversa superficial, de primeiro encontro. Logo ele, tão avesso a superficialidades. Ela fingia certos interesses, ele fingia realmente estar interessado nestes interesses.
No final da festa ela apenas olhava as outras pessoas, como se ele já não precisasse ser conquistado. Apenas o erguia para a multidão.

O fato é que essa festa também não foi boa de verdade apesar de ele ter tido o que queria. Ou o que pensava querer.
Começaria a namorar? Sumiria das vistas da moça?

Deixou rolar. Ela ligava sempre. E assi foram meses de telefonemas, encontros e conversar pseudo interessantes.
Certo dia algo mudou. Estavam ambos tão frios!
Ele tentou se aproximar, mas a distância entre os dois era grande demais, e não falo da distância física, pois estavam abraçados e se beijando.

Ela era linda, demonstrava interesse e era modelo. Que mais poderia querer?

Mas o rapaz resolveu voltar para suas antigas festas ruins, resolveu deixar-se levar por um destino que finalmente lhe apresentaria um sentimento genuíno, junto com a verdadeira realidade, e até uma certa felicidade.
Afinal, esperar não mata ninguém!

Guilherme Goulart

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